A música está presente na sua vida desde tenra idade. De tal forma que, cedo percebeu que não se tratava de uma opção, antes de uma necessidade para alimentar a alma. A propósito do concerto que vai dar no próximo sábado, dia 19 de maio, no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso, no âmbito da Noite dos Museus, o Notícias de Penafiel entrevistou Custódio Castelo que, entre outras curiosidades, nos falou do seu percurso e da ligação ao pintor. Artista que, confessa, descobriu através da filha que estudou Belas Artes. Amarante, de resto, é um palco sobejamente conhecido do músico e compositor, onde já atuou em diferentes contextos. Virtuoso guitarrista tem-se apresentado como solista em importantes festivais internacionais, nomeadamente o de Belo Horizonte, o World Music of Philadelphia, o International of Rabat, o North Sea Jazz (nos Países Baixos), ou o Festival du Sud (em França).

 

Antes de falarmos sobre si e sobre o seu percurso profissional, gostava que nos contasse como surgiu o convite para vir atuar no Museu Amadeo Souza-Cardoso, em Amarante, no próximo dia 19?
Já tive o privilégio de tocar algumas vezes em Amarante e todas as vezes foram marcantes. Desde participações no Festival Mimo, a concerto no pátio da escadaria municipal, na Igreja de São Pedro. O convite para tocar no Museu Souza-Cardoso é de igual forma um privilégio por isso, a minha gratidão ao município por este merecimento.

O seu concerto, que acontece no âmbito da Noite dos Museus, vai decorrer na Sala Amadeo, cujo acervo inclui obras do pintor que remetem para o universo musical e retratam instrumentos musicais. Gostava que me fizesse um paralelismo entre si e o pintor, já que, ao que sei, com apenas sete anos construiu o seu primeiro instrumento musical.
Na realidade, aprendi a apreciar mais profundamente a obra de Amadeo através da minha filha, que estudou Belas Artes e me aproximou do artista. Sinto-me ‘um aprendiz de emoções’ preso às obras de Amadeo. À sua imagem, também eu construí o meu caminho, construí a cor das minhas frases musicais.

A música está presente na sua vida desde muito cedo. Quando percebeu que era este o seu caminho?
Aos 13 anos iniciei na música, aos 17 disse aos meus pais que estaria condenado à música, ou seja, não era uma opção, mas uma necessidade de o fazer para meu alimento da alma.

Quais foram as suas principais influências?
Primeiro os sons da natureza, pois nasci no campo e foi significativamente uma grande influência; depois toda a música instrumental desde Bach a Paco de Lucia, Jango, Paredes, Armandinho e muitos mais criadores do meu universo musical.

No início da sua carreira passou por grupos de música popular portuguesa e bandas rock. Quais são as memórias que guarda dessa experiência?
Muito boas. Foi um tempo de aprendizagem com pessoas mais experientes da vida musical que contribuíram para a abertura de compreender melhor o meu caminho.

O que é que o levou, posteriormente, a enveredar pelo fado?
Apenas o instrumento, a nossa Guitarra Portuguesa, o som pelo qual assumi ser o tom da minha pele.

Ao longo do seu percurso tem participado com outros nomes do panorama musical nacional nomeadamente Jorge Fernando, Nuno da Câmara Pereira, Mísia, Camané, Carlos do Carmo. Qual deles mais o marcou?
Sem dúvida que, logo após ter começado a tocar, mantive uma parceria com o Jorge Fernando que se mantém até hoje, começando as carreiras brilhantes de Mariza, Ana Moura, Camané entre muitos mais, muitos discos muitas emoções.

Existem também colaborações internacionais, como é o caso de Maria Bethânia. O que guarda dessa experiência?
Grandes momentos em palco, muita troca de emoções, muita experiência noutros mundos musicais também com Richard Galiano e tantos outros artistas.

Sabemos que acompanhou Amália Rodrigues na última viagem que fez aos Estados Unidos da América. Como foi acompanhar esse nome maior do Fado Português?
Inesquecível, enriquecedor, único. Mas, o mais importante foi a amizade que criámos, sou um privilegiado.

Em 1998 tornou-se mentor do projeto artístico de Cristina Branco, um trabalho que lhe trouxe reconhecimento internacional como intérprete de Guitarra Portuguesa. Como surgiu esta parceria?
Branco tinha a capacidade de dar voz às minhas composições iniciais e em oito anos trouxemos a Portugal o primeiro disco de Platina e dois de ouro, enquanto produtor musical, arranjador, compositor e guitarrista.

Ao longo da sua carreira tem passado pelos mais diversos palcos. Já atuou em algum museu ou esta vai ser a primeira vez?
Mesmo que tivesse algum dia tocado, Amadeo seria o mais marcante para mim. Por conhecer melhor a obra, por sensibilidade também.

Considera que é uma boa aposta para a conquista de novos públicos?
Os novos públicos procuram momentos diferentes e distintos. Tenho a certeza que muitos virão aprender melhor Amadeo através da minha música e outros aprenderão melhor o Custódio Castelo através de Amadeo. A soma dos dois será um momento único por ser muito especial. Uma vez mais sou um privilegiado por merecer em meu caminho este momento.

Isabel Damião